urban farms

STARTUP CULTIVA HORTALIÇAS EM ÁREAS CINZAS DA CIDADE

Conheça o método de plantio sustentável da rede de fazendas urbanas Fazu


Gabriella Major | Sep 16, 2020

Encurtar o caminho entre o produtor e o consumidor. Esse é o principal objetivo das urban farms, criadas para o cultivo de hortaliças nos centros urbanos para minimizar a distância que normalmente é percorrida até que o alimento chegue até o consumidor. Isso evita que parte da colheita estrague no caminho e reduzir a produção de CO2 no transporte, ou seja, reduz desperdício e impacto ambiental. Outros aspectos positivos para o meio ambiente: as fazendas urbanas utilizam menos água e nenhum agrotóxico. Enfim, um modelo de negócio que tem atraído microempreendedores como Reginaldo Siqueira, sócio-fundador da rede de fazendas urbanas Fazu, que tem um propósito a mais: cobrir o cinza dos centros urbanos de verde.  

Fundada em 2018, após um insight do microempreendedor durante um voo do Rio de volta para São Paulo. “Observei inúmeras áreas cinzas sem uso na cidade e, então, pensei: por que não usar a hidroponia para colorir esses espaços e trazer saúde para a população?", conta Reginaldo. Atualmente, a Fazu implantou o cultivo verduras em uma laje na capital de São Paulo e tem uma rede de fazendeiros (moradores locais) treinados para o trabalho. Para entender mais sobre o novo modelo de negócio, tecnologia e distribuição de mini fazendas, a VegMag entrevistou Pedro Santos Menezes, diretor de marketing da empresa. 

VEGMAG: Como funciona a tecnologia de cultivo da Fazu? 

Pedro Menezes: A técnica usada é a hidroponia, aplicada mundialmente para a produção de hortaliças. No Brasil, 40% das verduras vem dessa tecnologia, que dispensa os nutrientes e minerais do solo. Na Fazu, o controle de estoque, checagem de nível da água e nutrientes é feito de forma remota, o que permite que as verduras sejam mantidas sempre lindas, grandes e saudáveis. Além disso, é prático para nós e os fazendeiros urbanos. 

VG: Como foi pensada e estruturada a logística e arquitetura da Fazu? 

PM: A logística é o tema mais complicado disso tudo. É muito difícil as hortaliças saírem do campo e chegarem ao consumidor com a mesma qualidade que se tem por lá. Isso se dá pela série de intermediários entre a colheita e consumo, além de encarecer o produto. Há também um excesso de manuseio entre campo e cidade. É aí que entra a Fazu. Como a  plantação fica dentro da cidade, perto dos nossos clientes (o tempo entre colheita e entrega demora menos de 1 hora), nós somos os únicos a manusear os produtos, evitando que passem por 'estresse' desnecessário. Quanto à arquitetura, além das fazendas em lajes, com capacidade para mais de 300 pés, adaptamos estruturas menores para restaurantes e pessoas físicas, o que permite estoque vivo do produto. Eles colhem e servem (ou consomem), praticando o “farm to table”.

VG: Qual é o principal objetivo da empresa? 

PM: Repensar a cadeia de hortaliças e conseguir levar ao consumidor alimentos verdadeiramente saudáveis, frescos e que não degradem o meio ambiente. O modo convencional de distribuição de hortaliças é o mesmo desde o início dos grandes centros urbanos – as produções rurais percorrem grandes distâncias até chegarem às margens das  cidades grandes.Hoje existem jeitos mais criativos e eficientes de se fazer isso. Queremos mudar o modo como hortaliças são produzidas e consumidas no Brasil, quiçá no mundo. 

VG: Como é feito o plantio, divisão e cadastro para aqueles que querem participar e plantar. Qualquer pessoa pode ter sua “fazendinha"?

PM: Nós temos fazendeiros contratados para manter o padrão rígido de qualidade Fazu. São eles que colhem e enviam as folhas para restaurantes e outros clientes. Mas, no caso de alguém querer cultivar as hortaliças em casa, dividimos todas as informações sobre o plantio. Nossa missão também é educar. Se tratando de restaurantes, sim, todos podem ter uma fazendinha. Montamos, ensinamos a cuidar e damos todo suporte necessário e sem nenhum custo.

VG: Qual é o público que a Fazu procura atingir? 

PM: O valor nutricional, o sabor e a crocância dos produtos da Fazu são impressionantes. Sabemos disso e queremos impactar a todos.. E o melhor de tudo: conseguimos cobrar um preço igual ou até menor que os praticados em muitos supermercados, justamente por não termos intermediários entre a colheita e o consumo.