SOS ABELHAS

8 PLANTAS QUE ATRAEM E ALIMENTAM AS ABELHAS

AJUDE A SALVAR OS INSETOS POLINIZADORES


Eliane Contreras | Jul 30, 2019

Apesar de estarem presentes no mundo há várias civilizações, as abelhas sem ferrão ainda são desconhecidas por grande parte da população. Consequentemente, poucas pessoas sabem da importância desses insetos para a produção agrícola e do risco de extinção que  algumas enfrentam. E isso afeta diretamente a quantidade e variedade de comida no nosso prato. Você leu certo: a produção de mel (para quem consome mel) não é o único benefício das abelhas. “Cerca de 30% do alimento que comemos hoje (ou mais, para quem se alimenta só de vegetais) é proveniente da polinização das abelhas. Ou seja, a cada três garfadas, uma delas é possível porque ainda temos abelha”, disse o doutor em genética de abelhas, Thiago Francoy, professor da EACH-USP, em entrevista à Band News. 

Existem abelhas de diferentes formatos, cores e tamanhos. “São estimados entre 20 e 30 mil espécies no mundo, 3 mil delas só no Brasil, sendo que aproximadamente 300 são de abelhas sem ferrão. Elas são sociáveis (incapazes de ferroar) e, ao contrário das abelhas solitárias, formam enxames”, explica Gerson Pinheiros, criador do projeto S.O.S. Abelhas Sem Ferrão.

Mesmo responsáveis pela polinização de 90% das espécies de árvores das florestas tropicais, as abelhas correm risco de ter sua população diminuída e até mesmo extinta por diversos fatores que agridem o meio ambiente. Nessa lista estão: florestas devastadas, baixa variedade de plantas, prática da monocultura (plantio de apenas um tipo de cultura: cana-de-açúcar, por exemplo), uso de agrotóxicos (mesmo em quantidade controlada), água e ar poluídos. O desconhecimento da população sobre o valor inestimável desses insetos para a vida também é preocupante. “Ninguém pode proteger o que não conhece”, alerta Gerson.

Mas qualquer pessoa pode ajudar na preservação e até mesmo na reprodução das abelhas. Como? Uma atitude simples é plantar flores e ervas capazes de atrair esses insetos que se alimentam do pólen e acabam polinizando outras flores e árvores frutíferas. E isso pode ser feito até mesmo por quem mora num apartamento em uma grande cidade. Para ajudar nesse desafio, consultamos a nutricionista e herborista Silvia Jeha, idealizadora e co-proprietária do viveiro Sabor de Fazenda, para sugerir algumas plantas que atraem abelhas, com algumas opções que se desenvolvem bem até mesmo na varanda de um apartamento.

PLANTAS QUE AS ABELHAS ADORAM

“Praticamente todas as ervas com flores atraem as abelhas”, diz Silvia. Porém, o tipo mais eficiente nessa tarefa é o manjericão, e se desenvolve bem em vasos e jardineiras ensolaradas. As demais gostam de mais espaço e muito sol e, por isso, devem ser plantadas preferencialmente num vaso grande, canteiro ou pequeno jardim.

ERVAS

Manjericão comum (Ocimum basilicum): pode ser cultivado em vasos e canteiros, desde que estejam em um lugar que bata sol durante boa parte do dia. Cultivo por sementes ou estacas. Suas folhas verde-claras são aromáticas e muito usadas em preparo de molhos (pesto), saladas e até mesmo batido na suco verde. Também pode aromatizar azeites e vinagres. As abelhas adoram suas pequenas flores brancas que, aliás, também são comestíveis.

Guaco (Mikania glomerata): trepadeira de grande porte com folhas de cor verde-escura e pequenos buquês de florzinhas brancas adoradas pelas abelhas. Adapta-se a todo tipo de solo, mas prefere solos úmidos, argilosos e ricos em matéria orgânica. Se você optar em plantar o guaco em um vaso, este tem que ser profundo e com um tutor para o crescimento da erva. Pode ser exposto direto no sol ou meia sombra. As folhas são indicadas para o preparo de xarope para tratar tosse, gripe, asma e bronquite.

Coentro (Coriandrum sativum): prefere solo bem nutrido, solto e drenado, com boa exposição ao sol. Pode ser plantado por sementes em vasos, jardineiras e canteiros. As abelhas são atraídas pelas suas flores pequenas e brancas. As folhas verde-escuras e as sementes são bastante usadas na culinária, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste do Brasil.

Incenso (Tetrania riparia ou Iboza riparia): planta de fácil cultivo. Pode ser plantada em solos ruins, mas precisa estar sempre exposta ao sol. Adapta-se melhor em canteiros ou vasos grandes (mais de 30 centímetros de altura). Crescem cachos de flores rósea-creme, de maio a agosto. Funciona como um repelente natural de insetos, mas as abelhas são muito bem-vindas.

Tomilho (Thymus vulgares): é uma planta pouco exigente, sobrevive praticamente em qualquer tipo de solo, sem muitos cuidados. Mas gosta de sol pleno. Tem folhas pequenas e de coloração clara na parte inferior. Folhas, flores e sementes podem ser usadas no preparo de receitas salgadas.

FLORES

Gerânio (Pelargonium domesticum): gosta de terra rica em matéria orgânica, locais ensolarados e clima ameno. É importante que o vaso tenha uma boa drenagem, já que a planta não gosta de umidade. O ideal é replantá-lo anualmente para manter sua exuberância quando florido.  

Lantana (Lantana camara) e minilantana: florescem quase o ano todo, especialmente quando cultivada sob sol pleno. Não costuma ser atacada por pragas e, quanto mais bem tratada com água, matéria orgânica e adubo, mais responde com flores multicoloridas que atraem borboletas e abelhas.

Lavanda (Lavanda dentala): é fácil de ser cultiva, mas exige de uma incidência solar de no mínimo 4 horas por dia e solo drenado – o excesso de umidade faz com que suas raízes apodreçam. As mudas devem ser replantadas a cada dois anos. As folhas têm coloração cinza-esverdeada e as florzinhas lilás. Essas duas partes da planta são aromáticas e costumam ser usadas para acalmar.

COMO SER UM GUARDIÃO DAS ABELHAS

Um guardião é aquele que preserva e protege a abelha em qualquer situação e local. Quem quiser ajudar a polinizar essa ideia também pode entrar em contato com o S.O.S. Abelhas Sem Ferrão. “Somos uma entidade destinada a preservação das abelhas nativas no Brasil, em especial as sem ferrão. Nossas principais áreas de atuação são a educação ambiental, o resgate de enxames em risco e a divulgação de informações necessárias para a proteção desses insetos maravilhosos”, finaliza Gerson.