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TROCAR O AÇÚCAR POR ADOÇANTES ARTIFICIAIS PODE PESAR AINDA MAIS NA SAÚDE

Saiba outras opções para você fazer essa substituição de maneira saudável


LAÍS MURTA | Oct 20, 2020

A discussão sobre açúcar e adoçante parece eterna, já que existem estudos afirmando que os adoçantes artificiais, consumidos nas doses recomendadas pelos fabricantes, são seguros. Mas existe também uma série de pesquisas relacionando essas substâncias a danos ao organismo. Na dúvida, prefiro não arriscar: recomendo que as pessoas evitem ao máximo os substitutos químicos do açúcar, já que os prejuízos não são poucos.

Muitos adoçantes artificiais são absorvidos de forma incompleta e, por isso, acabam sendo metabolizados pela microbiota, provocando gases, estufamento abdominal e diarreia. A longo prazo, também podem surgir crises de dores de cabeça a problemas bem mais graves, como doenças cardíacas e renais e até câncer.

Existe ainda a possibilidade de efeito rebote, favorecendo o ganho de peso, em vez de auxiliar no emagrecimento. Isso porque os adoçantes artificiais afetam a capacidade cerebral do corpo diminuindo a percepção de saciedade, o que faz com que as pessoas passem a comer mais e, consequentemente, engordam.

Não significa que o açúcar refinado (açúcar de mesa ou açúcar branco) está liberado. É um ingrediente que também traz prejuízos ao organismo, além de ser viciante – quanto mais você consome, mais sente necessidade dele.

Para quem precisa reduzir a ingestão calorias, recomendo os adoçantes naturais. Já para aqueles preocupados em consumir alimentos mais saudáveis, sugiro açúcar de coco, mel de abelha orgânico ou agave (para os veganos). São opções que, consumidas em doses moderadas, não provocam alterações na saúde. 

NATURAIS E ARTIFICIAIS

Os adoçantes são substâncias com sabor doce, divididos em duas categorias: naturais e artificiais. 

Naturais: extraídos de plantas, acrescentam alguns nutrientes e calorias (exceto  estévia, eritritol e taumatina). São eles (valor calórico em 1 grama): sacarose (açúcar de mesa, 4 kcal), açúcar de coco (3,8 kcal), mel de abelha (3,2 kcal), agave (3,1 kcal), xarope de maltitol (3 kcal), hidrolisado de amido hidrogenado (2,8 kcal), maltitol (2,7 kcal), xilitol (2,5 kcal), isomalte (2,1 kcal), sorbitol (2,5 kcal), lactitol (2 kcal), manitol (1,5 kcal), eritritol (0 kcal), taumatina (0 kcal) e estévia* (0 kcal).

Artificiais: produzidos sinteticamente em laboratório, geralmente são isentos de caloria e nulos em nutrientes. Os mais usados pela indústria de alimentos sem adição de açúcar: sacarina, ciclamato, aspartame, sucralose, acessulfame-K e estévia*.

*Por que a estévia aparece nas duas categorias? Para alertar a todos que, apesar de proveniente da planta Stevia rebaudiana, durante o processamento industrial, a matéria-prima pode ser associada a substâncias artificiais e aditivos químicos que a tornam mais estável. Nesse caso, acompanhada de componentes que podem causar reações adversas, a estévia deixa de ser uma opção natural e saudável. Mas existem marcas que a mantêm mais próxima da sua forma pura e natural. Essa informação consta no rótulo da seguinte forma: folhas orgânicas de estévia.

MANTENHA FORA DO ALCANCE DE GRÁVIDAS E CRIANÇAS

O consumo de adoçantes artificiais por mulheres gestante pode aumentar em duas vezes o risco de sobrepeso na criança, na primeira infância. 

Quando ingeridas durante a gravidez, as bebidas adoçadas artificialmente também estão associadas a um menor período de amamentação e introdução alimentar precoce, considerados outros dois fatores à favor da obesidade infantil.   

É importante ressaltar ainda que estudos demonstram que, quanto mais bebidas artificialmente adoçadas uma mãe grávida consumir, maior a probabilidade de ela dar à luz prematuramente, e maiores os risco da criança desenvolver alergias alimentares e asma. Por isso, doses moderadas de açúcar de coco, mel ou agave continuam valendo nesse período. 

*Laís Murta é nutricionista especializada em nutrição funcional.