Selos

ENTENDENDO OS SELOS DE CERTIFICAÇÃO: DO ORGÂNICO AO VEGANO

DESCUBRA, DE UMA VEZ POR TODAS, O QUE CADA UM DELES QUER DIZER


Renata Losso | Aug 20, 2018

A crescente preocupação dos consumidores com a origem dos produtos e a produção agropecuária brasileira – seus pesticidas, agrotóxicos, hormônios e outros grandes malefícios à saúde e ao ecossistema – nos tornou mais criteriosos com o que colocamos no carrinho do supermercado. Porém, na contramão dessa conscientização, o “greenwashing” também veio à tona: o termo é utilizado para se referir a empresas e pessoas que buscam promover, como jogada de marketing, uma imagem ecologicamente responsável que não condiz à realidade.

Para escapar de armadilhas do tipo, é preciso estar constantemente atento – e informado. Com isso, selecionamos alguns dos selos mais vistos nas gôndolas para você ter sempre em mente que, sem eles, não há garantias da origem dos alimentos que levamos para casa e do quão sustentáveis eles realmente são.

Selo Produto Orgânico Brasil

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Este é o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg). Organizado e estruturado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) ao lado do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), o SisOrg certifica que o seu produto tem, no mínimo, 95% de ingredientes orgânicos em sua composição. Já os ingredientes que compõem os outros 5% devem ser identificados e estar dentro das regras de produção orgânica – agrotóxicos, por exemplo, estão proibidos de qualquer forma.

Produtos que tenham de 70 a 95% de sua composição com ingredientes orgânicos não são classificados como orgânicos nem podem estar certificados com o selo, mas se os ingredientes orgânicos estiverem identificados no rótulo, é possível que na embalagem esteja escrito que aquele é um “Produto com ingredientes orgânicos”. Produtos com menos de 70% de ingredientes orgânicos não estão aptos a nenhuma qualificação.

Vale lembrar que há três formas de certificação: a Certificação por Auditoria, o Sistema Participativo de garantia e o Controle Social na Venda Direta. As duas primeiras aparecem identificadas nos selos que encontramos por aí: a primeira diz respeito à avaliação feita por certificadoras credenciadas e a segunda ao controle realizado por um Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade (OPAC). A terceira acontece no caso de agricultores que vendem seus produtos em feiras e pequenos mercados: os produtos não possuem o selo de certificação, mas os responsáveis pela produção devem estar vinculados a uma Organização de Controle Social (OCS) cadastrada e possuir um documento que comprove sua produção orgânica.

2. Selo IBD

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O selo público e oficial do SisOrg pode ser obtido a partir de um Organismo da Avaliação da Conformidade (OAC) credenciado, como o IBD – Associação de Certificação Instituto Biodinâmico . Esta instituição certificadora brasileira é credenciada pelo MAPA e acreditada por órgãos internacionais como a IFOAM (Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica) e a USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Seu selo garante o respeito à mesma legislação para alimentos orgânicos no mercado interno (Lei 10.831), mas vai além disso: garante também que o produto esteja de acordo com normas europeias e norte-americanas. A série de exigências e cuidados para obter uma certificação do IBD podem ser encontradas aqui. Produtos como o café orgânico torrado e moído da Cia. Orgânica, o óleo de coco orgânico da Finococo e a bebida orgânica à base de arroz sabor baunilha da IsolaBio possuem o selo IBD de produtos orgânicos.

3. Selo Ecocert

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Outra certificadora credenciada do mercado é a Ecocert , de origem francesa. O organismo também atende tanto a regulamentos nacionais como internacionais de produção, processamento, rotulagem e comercialização de produtos orgânicos. No mercado interno, portanto, a regra é a mesma: alimentos certificados com o selo Ecocert possuem 95% de ingredientes orgânicos. É o caso de produtos como a granola orgânica tradicional da Native, a farinha de semente de uva orgânica da Uva’Só e do pão integral e orgânico da Pão do Céu, por exemplo. Lembramos ainda que a Ecocert, assim como o IBD, também certifica cosméticos e produtos de limpeza.

4. Selos Veganos

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Os selos veganos são facilmente identificáveis nos produtos e podem ser obtidos através da Sociedade Vegetariana Brasileira , da organização Veganismo Brasil– autorizada da organização britânica Vegan Society – ou, para produtos internacionais, da própria original inglesa. Um produto que contenha um desses três selos não contém nenhum ingrediente de origem animal – nenhum mesmo, da carne ao corante – e não teve nenhum animal utilizado em seu desenvolvimento para testes de experimentação.

5. Selos Cruelty-free

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Estes coelhinhos são os maiores representantes de produtos – especificamente cosméticos, produtos de limpeza e de cuidados pessoais – cruelty-free, ou seja, que não realizaram nenhum teste em animais antes de alcançarem as prateleiras de nossas casas. O programa “Leaping Bunny”, da organização Cruelty Free International , é um dos mais icônicos do mercado internacional e certifica marcas como a Surya Brasil e a engajada The Body Shop, que luta contra testes em animais desde 1996. Outra organização que se mantém no front por essa luta é a PETA (People for Ethical Treatment of Animals) com o programa “Beauty Without Bunnys”. A partir dos selos “Cruelty-Free” e “Cruelty-Free and Vegan”, a ONG também certifica marcas que não conduzem ou pagam por testes em animais em nenhum lugar do mundo – e que nem o farão no futuro. Para se ter um exemplo, a BAIMS é uma marca que aposta nesse ideal.

6. Selo Certified Humane

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Para produtos que contenham proteína de origem animal, o selo do programa Certified Humane , da organização Humane Farm Animal Care, procura certificar que aquela marca não atua com maus tratos nem concorda com qualquer tipo de sofrimento animal em sua organização. O objetivo é garantir uma criação de bem-estar aos animais. Produtos da marca Korin, por exemplo, têm este selo em suas embalagens.

7. Selos USDA Organic e Organic Leaf

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O primeiro diz respeito às normas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Já o segundo representa o selo para alimentos orgânicos na Europa, que atende às normas do mercado europeu. Aqui no Brasil é possível encontrá-los normalmente em alimentos certificados pelo IBD ou pela Ecocert, certificadoras reconhecidas mundialmente.

8. Selo FSC

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Este é o selo do Forest Stewardship Council , ONG criada para promover um manejo florestal ecologicamente responsável e contribuir para o uso adequado de recursos naturais. Seu selo garante, com visibilidade internacional, que aquele produto – e toda a cadeia produtiva por trás dele – teve seu lugar de origem respeitado, assim como todos os aspectos ambientais, sociais e econômicos que o rodeiam. É o caso do café orgânico da Native, por exemplo, que apresenta o selo em sua caixa.